Pesquisa:

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Animais e Games: benefícios comuns para a Educação

O maior benefício que os Games trazem para os jovens, segundo McGonigal, é um conjunto de estímulos e objetivos claramente apresentados e que, quando conquistados, apresentam recompensas emocionalmente relevantes.
Estudando a revisão sobre os resultados da interação homem-animal publicada por Marty Becker e Danelle Morton (2003), no formato de um livro entitulado “O poder curativo dos bichos” (The healing power of pets – no original), enxergamos esses mesmos elementos estimulantes e recompensadores.
McGonigal nos mostrou que, em muitos Games, o jogador se vê responsável por solucionar problemas e conflitos importantes e, sem isso, seu mundo virtual estará arruinado. Assim, ele se torna um herói e é aclamado pela multidão quando dá cabo de sua missão. Essa situação encontra um paralelo na vida real quando, por exemplo, uma criança é incubida de dar ração ao cachorro. Sem essa atitude da criança, o cachorro ficará fraco, doente e poderá, mesmo, morrer. Depositar a ração na tigela do animal de estimação é uma atitude simples, mas que pode salvar uma vida. E o cão sabe da importância de tal atitude. Ele pula e faz festa quando vê a criança que cuida dele, que o alimenta. É a exaltação que ele receberia no mundo virtual.
Nas palavras de Becker e Morton, os bichos de estimação ajudam as crianças a se sentirem competentes.
Uma grande dificuldade vivida durante a aprendizagem escolar é entender o que o professor deseja do aluno. É a famosa dúvida, diante de uma questão de física: “Por onde eu começo? O que ele quer que eu faça?”. Essa experiência raramente será vivida nos Games. A maioria das vezes, o jogador terá bem claramente quais são seus objetivos (e, se esquecê-los, terá, provavelmente, um menu para lembrá-lo). Podem surgir dúvidas pontuais, claro, sobre como se obter o melhor desempenho para a tarefa, mas, ainda assim, ela estará ali, clara, estampada na tela da televisão ou do computador. No mundo real, o equivalente a isso é a interação com os animais de estimação. O jovem aprende a reconhecer significados nos diferentes miados e latidos – e esses significados não mudam e nunca terão uma pegadinha por trás. O olhar de pedido de comida será sempre diferente do olhar que pede para o dono abrir a porta para o cachorro poder fazer suas necessidades no quintal.
Animais e Games são capazes de fornecer aos seus “interlocutores”, uma sensação de bem estar e confiança. São um estímulo para o desenvolvimento da auto-estima e para a formação da personalidade do sujeito (subjetivação).
No vídeo indicado em um post anterior, McGonigal termina seu discurso dizendo que o nosso grande desafio é transpor os benefícios dos Games para o mundo real. O que Becker e Morton fazem é nos dar indícios de que os animais podem nos ajudar com essa transposição.